sábado, 25 de outubro de 2008

Matou e foi para a igreja

Cravado punhal certo certo no coração, deixou a vítima agonizando e caminhou para a igreja betesda a duas casas do crime. Já roubou, ameaçou com arma de fogo, bateu para deixar em coma, mas matar nunca. O motivo foi banal.
Me arranja um careta desse?
Não tenho.
Do que você me chamou?!
Disse não tenho porra.
Laranja é o caralho filha da puta.
No desentendimento, a briga se principiou. Com pé erguido Leo (que pediu o cigarro) acertou o peito de Landir que caiu. O assassino levantou-se numa posição para ataque parecida com a de guerreiro de filme hollywoodiano e fincou o punhal em Leo.
Terminada a missa, vagou pela região da praia de Iracema por oito dias até que caiu alvejado por 6 tiros de um trinta e oito. Promessa na beira do caixão de Leo feita e cumprida por seu irmão.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Tocaia

O criado mudo de João Augusto estava sustentando uma cápsula de 38.O juiz mal quisto na cidade desconfiou de Adão, delegado preso por ele e que fora solto a dois dias por alvará mal digerido. Ao ver a cápsula,pensou consigo como era baixo e amador o homem gordo. Foi tomar um banho para tirar cheiro de cadeia do seu corpo.
Augusto em dois anos de magistrado em Ji-paraná havia feito imprensa, delegados, juízes, fazendeiros, cocaineiros e advogados como inimigos. No Diário do Madeira, por vezes, sua mulher era chamada de puta e ele de doente mental. Sofria, mas apresentava sempre uma cara sisuda que construíra para sobrevivência.
Deitado na cama refrigerada pelo ar condicionado não ouviu o carro da sua esposa Ana chegar à casa. Quem dirigia o carro era Ricardo que carregava no porta-mala Ana morta dentro de um saco preto.Retirou a mulher do saco ainda um pouco quente e deixou-a na sala.
Ao abrir a porta do quarto o matador Ricardo direcionou logo a arma com uma garrafa de Coca-Cola dois litros servindo de silenciador para João Augusto. O juiz já aguardava desgraça anunciada, por reflexo no espelho da pentiadeira apontou e atirou preciso três tiros no matador de meia idade.
No outro dia jornal dava em primeira página. “Juiz preso por matar mulher e amante”.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Prazer

A noite começou feliz para o caminhoneiro Humberto. Em forró de beira de estrada se aproxegou da melhor puta, segundo ele, do local. A tempos, nas andanças da estrada, vez por outra, encontrava a mulher que até a primeira fala era-lhe miragem. “Te vejo em todo o canto.” “Gosto de lugares e pessoas novas.” “É quanto?” “Boquete 25, foda 50.”
A mulher de bunda grande parecia a mais sóbria entre todos do forró. Humberto bêbado lhe ofereceu bebida e ela negou. Sem delongas, pegaram viela escura, onde geralmente faziam-se os programas. O forró não era especializado.
A ansiedade foi tanta que o caminhoneiro começou tentando penetração no cú da mulher. “No cú é 90, tem?!” O homem não respondeu, apenas tirou roupa restante e conscientizou-se do que podia. Foram meia-hora de sexo e satisfação para o caminhoneiro já apaixonado. Ao deixá-la Humberto carinhosamente perguntou-lhe o nome. “Muito prazer, meu nome é Aids”.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Suícidou-se

Depois de colocada a arma dentro da própria boca atirou seguro. Antes acordou, tomou café apressado, deu o mesmo beijo na esposa e partiu para o trabalho. Era diretor de marketing da Multinacional Coca-cola. Ao sair do trabalho pegou trânsito costumeiro, buscou os dois filhos no Colégio Domus Sapiente e dirigiu-se a casa nos Jardins.
Sua mulher o esperava preparando macarronada para o jantar. Quando ouviu o barulho do carro procurou rapidamente colocar a macarronada à mesa. Estranhando demora no entrar, foi até a sala. Ao ver o marido, desmaiou.
Arrastando os dois filhos mortos, José não se comoveu com o desmaio e acertou dois disparos de uma colt na mulher que morreu na hora. Antes de se matar ainda teve o cuidado de reunir a família no sofá.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

noite de carnaval

Pelo rosto inchado, olhos vermelhos e baixos e fala incognitível, Mara o sentenciou como drogado. Era seu filho, Flávio, que chegou em casa por volta das 3 da manhã em casa. O dialogo entre ambos não se deu. Tanto pela fala de Flávio quanto pela raiva de Mara. O filho de 27 anos ainda tentava alguma forma de comunicação, apoiou com os braços seu corpo no ombro da mãe. Tentava um contato com o olhar dela, porém a tontura e a visão embaçada impediram-no. Mara intransigente a situação empurrou o corpo magro de 1,76 do filho ao sofá. Flávio sem força foi levado, depois de um tropeço na mesa de centro que lhe causou leve luxação no joelho.
Era uma terça de carnaval, o rapaz com mais dois amigos, Francisco Maria da Costa, vulgo Candiru, e Marcio Dentinho, saíram por volta das 7 da noite para o bloco de carnaval conhecido como “Vai quem quer”. Ao chegarem à festa Flávio cheirou cocaína, fumou maconha e bebeu pouco.
Depois da festa os amigos tomaram rumos diferentes. Próximo a sua casa, Flávio era esperado. Pelas costas foi acertado na cabeça por um porrete. A arma revestida de sal grosso impediu a exposição da hemorragia. Era o desfeche de briga antiga. Flávio teve uma hemorragia interna crânio-encefálica, morreu minutos depois de cair no sofá.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

fúria

A casa de Maria Francisca foi degradada, hora antes de chegar em casa. Enquanto enxugava as lágrimas de desespero para ver melhor a destruição, pausava em cada objeto que lhe custou caro e examinava-os, leigamente, na possibilidade de conserto.
Ela não tem inimigos. Nem amigos. Os familiares são pouco presentes.
Ao chegar no banheiro, viu no espelho pequeno de moldura laranja riscado a palavra vingança. Não lhe significou nada, pois nada devia. Na procura de informações descobriu por vizinhos que umas 20 pessoas entre velhas, velhos, crianças, jovens invadiram enfurecidos sua casa na busca de vingança.
Doze horas antes, José Francisco, 17, irmão de Maria, matou Leo, 16. O assassinado perdeu um DVD dos Racionais original do acusado, que no intuito de assustá-lo, enfiou-lhe faca amolada no estomago. Porém, para Leo, bastou.

domingo, 10 de agosto de 2008

Alice

Atentado por vizinho, entrou em casa, bateu na esposa e logo foi ao quarto onde a filha, de quatro, silenciosa, transava com o virgem Amilton. Depois disto, todo santo dia, Elivielton chora e bebe lembrando da cena.
Alice não sabia o nome de Amilton, mal sabia o que ocorria, o crack fez a se perder de novo em mundo diferente, aquele que sempre volta desde a primeira pedra. A mãe sabia o nome de Amilton, esperava-o. O menino precisou roubar 7 reais da carteira do pai para comprar uma foda com Alice. Três clientes por dia davam o suficiente para sustentar mãe e filha em vício maldito.
Hoje, seca, a menina de treze, dois anos depois do ocorrido, espera todo santo dia, em frente ao riacho Maceió, cliente chegar e, por três ou cinco reais, faz-lhe um boquete rápido.
O primeiro trago seco e fedido logo a deslocou para mundo distante que acabava rápido. Alice não sabe mais viver em outro lugar.