segunda-feira, 30 de março de 2009

acerto

Saiu armado e decidido. Inserto da volta, beijou a todos da família, num ato falho beijou até sua empregada. Preferiu ir a pé para seu destino. Mudou percurso costumeiro para não encontrar com os amigos. Pensava o porquê protelara a tanto este ódio grande. Ao pensar nos filhos dele quase se arrependeu. Mas não deu tempo.
Osvaldo e Nonato encontraram-se ambos armados antes do previsto, haviam desviado caminho pela mesma rua. O saque de armas foi de west . Ambos sacaram e acertaram-se fatalmente. Final ridículo de uma briga de egos tal qual.

terça-feira, 24 de março de 2009

Erro

A vítima era delegada federal. De primeiro não reagiu. Dois menores e subnutridos. Celular, bolsa, a aliança e um relógio. Com uma arma de brinquedo apontada a vítima, fugiram rápidos e assustados. A delegada entrou nos trilhos armada. De um telefonema surgiram 7 viaturas.
Com uma das narinas preenchidas com um cano de uma magno 47, Gabriel não respondia a uma pergunta da delegada, apenas chorava. Aprisionara a primeira lágrima até o sétimo chute no estômago seguido de uma cacetada no rim.
Lennon escondido na casa da tia, apenas ouvia sermões da irmã mais velha. Ele não se sensibilizava. Dentro da viatura Gabriel ainda não o caguetara. Recompensa? A vida.
A mãe de Gabriel passou mal ao saber da prisão do filho. Lennon continua solto, mas a vítima prometeu sua morte.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Fedor

O fedor salvou sua carne de não putrefar ao alento. Dorival nunca incomodou ninguém da vizinhança. Homem calado. Morador de casa de muro alto nem mesmo lhe viam. Não vinha gente em sua casa, pelo menos era o que comentava Dona Liduina, sua vizinha.
Na noite de sexta,14, Russo apareceu, entrou em sua casa, arrombou a porta e o encontrou dormindo. Prendeu o velho no lavabo (inútil até então), amordaçado e amarrado nos punhos. Roubo-lhe o que podia carregar.
Diabético, 10 horas depois o velho Dorival, em causa da cetoacidose, vomitou e morreu sufocado pelo vomito. Antes sentiu fortes dores abdominais e muita náusea.
Dona Liduina não escondeu o pouco do sentimento de prazer por ter conseguido entrar na última casa que faltava-lhe conhecer da rua, pouco importou-se com o fedor que pairava.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

30 mil e 3

Depois do barulho do espirro, o estrondo de dois tiros e um vidro quebrado. Josué a semanas continha em seu corpo uma virose. Queixava-se pelo excesso de espirros e um estado febril que aparecia vez por outra. Ariel, o mentor do assalto e comparsa de Josué, pelas informações do caixa do banco sabia que Sindoval iria sacar muita grana para o pagamento de um evento qualquer. Tratou de alugar a melhor pistola, 360 automatica, não iria usar bala alguma, pediu para Cowboy (o fornecedor) que lhe desse sem balas, assim saia-lhe até mais barato.
Depois do espirro Ariel deu-se conta que a pistola estava carregada, mas nada estava perdido. Sindoval com dois tiros no rosto não pode abrir mais a porta, porém com o vidro já quebrado Ariel furtou-lhe trinta mil reais guardados em uma pasta. Ao se virar para seu comparsa Josué recebeu a única das três balas que lhe encomendaram, bastou. Cowboy esperava Josué no carro ao lado, saíram bem e rindo da cena do espirro.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Jorge Lelé

Impávida e sem calcinha, Maria permanecia de olhos sombrios rodeada por 6 policiais e 3 jornalistas. O crime sofrido fora estupro e algumas fraturas pelo ato sexual do criminoso.
Jorge Lelé era como respondia. Morador de rua a tempos desconhecidos tinha problema de convivência social, embora nunca tivesse levantado a voz a um só ser em meio de rua. Andava com rastejo original e fedia muito. Não pedia, comia do lixo. Contudo, Jorge era perverso: atacava sempre de noite após analisar a foto da vítima e sua idade; com um pé de cabra violava o lar da escolhida; (não dava voz de estupro) desajeitado, apenas, posicionava-a de quatro; tirava sua calcinha e guardava no bolso e em vai e vem sórdido galava sua vítima deixando-a ao léo. Saia pelo mesmo muro que pulava.
De cemitério em cemitério Jorge já houvera violado 14 caixões e nesta noite pretendia mais um.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Catolé

Ao chão, Acácio esperava o disparo de César. Passado minuto, levantou-se para saber o que ocorrera. No bar de Aurea, Jorge ainda trêmulo tentava entender porque ainda vivia. César disparara um trinta e oito inteiro mirado no peito de Jorge. Catolé ocorrera por milagre talvez. Acácio do portão de casa, ainda não compreendera o que houvera, mas sem sangue no bar entrou.
Jorge mesmo vivo, ainda depois de todos terem ido – decepcionados – não entendia. César dormia em casa, depois de ter descontado na mulher Dália toda a raiva.
Jorge foi-se depois do último talo de cachaça rasgado na garganta. Em rua estreita começava já a assimilar bem humorado o milagre grande. Não tinha humildade em agradecer Deus, porém ria alto do infeliz César.
Um tiro abafado por aquele amontoado de casas. Por honra de família e para salvar a mãe de outra sova, Fabiano de 14 anos apontou torto o mesmo berro a Jorge. Acertou-lhe no peito. Catolé não acontece duas vezes em mesma pessoa. Na manhã Acácio ao olhar o corpo, foi correndo para escola contar a história, agora com desfecho certo.

sábado, 25 de outubro de 2008

Matou e foi para a igreja

Cravado punhal certo certo no coração, deixou a vítima agonizando e caminhou para a igreja betesda a duas casas do crime. Já roubou, ameaçou com arma de fogo, bateu para deixar em coma, mas matar nunca. O motivo foi banal.
Me arranja um careta desse?
Não tenho.
Do que você me chamou?!
Disse não tenho porra.
Laranja é o caralho filha da puta.
No desentendimento, a briga se principiou. Com pé erguido Leo (que pediu o cigarro) acertou o peito de Landir que caiu. O assassino levantou-se numa posição para ataque parecida com a de guerreiro de filme hollywoodiano e fincou o punhal em Leo.
Terminada a missa, vagou pela região da praia de Iracema por oito dias até que caiu alvejado por 6 tiros de um trinta e oito. Promessa na beira do caixão de Leo feita e cumprida por seu irmão.